segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A Universidade da Maia, a investigação e a inovação

A 31 de julho passado a notícia da extinção da FCT caiu como uma bomba nos meios universitários. Uma bomba ao retardador porque as férias tudo amortecem. Mas o tema voltou em setembro com a proposta de decreto-lei do governo; depois de uma interação difícil com o Presidente da República, é promulgado a 11 de dezembro o decreto de criação da AI2, EPE, Agência para a Investigação e a Inovação com o estatuto de Entidade Pública Empresarial, que funde a FCT, IP, com a ANI, SA.
O papel das universidades no desenvolvimento regional é bem reconhecido internacionalmente. No último meio século, a generalidade dos países, desenvolvidos e em desenvolvimento, fizeram um grande esforço para expandir a participação dos seus jovens na educação superior. Portugal não foi exceção e ultrapassou mesmo muitos países europeus na participação em licenciatura, mestrado e doutoramento. Também a despesa pública com a investigação cresceu rapidamente com a chegada dos fundos europeus, com a publicação de artigos científicos por milhão de habitantes a ultrapassar a de parceiros muito relevantes como a Grécia, a Itália, a Espanha, a França e a Alemanha. Na área académica, o nosso sistema científico é hoje maior do que o de muitos países da OCDE, enquanto a investigação feita no meio empresarial é diminuta. Muitos julgam-na ainda bastante menor porque as estatísticas valorizam os benefícios fiscais SIFIDE acima do que julgam ser o esforço real feito pelas empresas em Portugal.
Toda a discussão em torno desta reforma manifesta o receio de que a investigação académica seja prejudicada pelo desvio de financiamento para a inovação empresarial. O governo contrapõe com o objetivo de que haja uma continuidade entre a investigação académica e o seu desenvolvimento até à inovação empresarial. Todos estarão de acordo quanto à necessidade de estimular a inovação tecnológica sem desprezar a sua matriz académica. Só o futuro virá a confirmar se as boas intenções governamentais se confirmam ou se a galinha académica definhará em benefício dos ovos dourados de promessas de inovação que nem sempre deixarão as suas melhores gemas em solo nacional.
A Universidade da Maia acompanha esta discussão com muito interesse. Também aqui temos vindo a desenvolver o nosso sistema científico local num nicho de educação e formação de jovens adultos sempre em proximidade com os empregadores da região. Sabemos que o sucesso profissional dos nossos graduados depende desta relação próxima, de sã articulação entre o conhecimento estrutural, disciplinar e a prática multidisciplinar e bem integrada com outras competências transversais ou soft skills no linguajar técnico. É deste desenvolvimento conjunto de saberes básicos e bem estruturados com práticas profissionais abrangentes que chegamos ao sucesso bem provado dos nossos graduados.
Toda a Europa reconhece que não tem sabido transferir o sucesso do seu sistema científico para a economia, que o enorme reconhecimento internacional das suas universidades e institutos de investigação não oferece um retorno económico visível na autonomia da sua economia e do bem-estar da população. A criação nestes últimos dias de 2025 da nova AI2 tem de ser vista neste quadro alargado de aproximação da criação académica de conhecimento com a inovação tecnológica das empresas que garante o crescimento económico e a satisfação das expectativas de progresso da sociedade. A Universidade da Maia tem sabido fazer esta ligação, garantindo sempre a inserção de graduados bem treinados nesta ligação entre a teoria académica e a prática profissional.
José Ferreira Gomes, Reitor da Universidade da Maia
Revista 1000 Maiores, nº 3, 31dez2025, ISSN 2975-996X, https://1000maiores.pt/edicoes/

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